Há tempo a eficiência e a otimização ocupam o espaço e as pautas de diretoria das organizações. Frases “como fazer mais com menos”, “automatizar processos e reduzir recursos” e “eficiência para a excelência” estão no cotidiano dos gestores e são temas dos principais projetos. Todos os projetos deveriam ter retornos financeiros comprovados e validados e eram priorizados exclusivamente de acordo com esse retorno. Porém, nos últimos anos o universo de startups e inovações de modelo de negócio alteraram essa lógica. Vimos empresas nascerem com outros propósitos que não financeiros. Nascem e depois monetizam. Geram alto valor de mercado, praticam preços e serviços por vezes mais eficientes e ganham mercado das empresas tradicionais. Como interagir e se posicionar com esse novo mercado?

Uma pesquisa realizada pela StartSe em 2017 com mais de 300 empresas tradicionais aponta as formas de relação com as startups que mais acreditam. Tanto fornecer quanto contratar serviços são as mais relevantes, mas muitas apontam criar suas startups ou promover programas de incubação também como grandes formas de manter esse relacionamento.

Porém, para entrar nesse novo panorama, as empresas precisam focar em agilidade, desburocratização, cultura focada em dados e cultura para inovação. A desburocratização dos processos e estruturas permite que as mudanças, tão presentes nesse novo cenário, sejam incorporadas no dia a dia das áreas. Ao mesmo tempo, traz autonomia para as equipes e facilita as tomadas de decisão. Suportando todos os processos, a cultura baseada em dados minimiza os erros, quebra a inercia de processos que precisam ser repensados e reformulados e capta mudanças mercadológicas de forma ágil. Por fim, uma cultura de inovação é a peça fundamental para que a mudança de mindset ocorra nas grandes organizações. Para isso, o apetite a riscos tem que ser maior e não se pode esperar retorno financeiro de todos os projetos. A cultura precisa permitir experimentação, erros e autonomia.

Mas como encaixar esse cenário do dia a dia tradicional das empresas? Segundo pesquisa realizada pela ACE Cortex, em 2018, o orçamento para inovação nas empresas varia apenas entre 0,5% e 3%. Esse percentual indica que a inovação não é vista como prioritária pelas empresas e que, quando há corte de orçamento, os projetos de inovação são os primeiros a serem cortados. A pesquisa ainda indica os principais desafios das áreas de inovação das empresas, mostrando que o problema de alocação de recursos para a inovação ocupa três dos quatro maiores desafios dessas áreas.

Ferramentas de gestão e estratégia.

Nesse contexto, vê-se a necessidade de investir em ferramentas de gestão e estratégia que atuem para formar a base de uma empresa inovadora e aliar o curto ao longo prazo. Ao se ter um diagnóstico bem elaborado dos processos internos e do mercado externo, as empresas ganham a agilidade necessária nas tomadas de decisão. Mais que isso, permitem que no curto prazo elas continuem gerando os resultados, enquanto a inovação e agilidade garantem a sustentabilidade do negócio.

O Orçamento Base Zero se insere nesse contexto a medida que traduz em números e dados a eficiência dos processos. Garante que o orçamento seja mapeado, que os recursos sejam direcionados para os principais drivers de valores do negócio e, principalmente, garantem a visão de priorização orçamentária aliada a priorização de processos e produtos.
Essa visão possibilita manobras no curto prazo, descentralização da gestão e do orçamento e maior autonomia das equipes. Ao mesmo tempo, o orçamento matricial e a otimização dos produtos e recursos permitem que a empresa opere o business as usual de forma mais enxuta, liberando recursos para os investimentos em inovação e estratégia de longo prazo.

Mesmo que pareçam antagônicas, inovação e eficiência devem ser consideradas em conjunto dentro de uma organização. A inovação pura, sem suporte de gestão e eficiência não se sustenta no curto prazo e se torna inviável para a realidade dos negócios. Ao mesmo tempo, a eficiência por si só não garante a sustentabilidade do negocio e não capta as mudanças ágeis impostas pelo mundo da internet, inteligência artificial e modelos disruptivos. Uma estratégia adequada se pauta no desafio de otimizar o curto prazo para que esse suporte os projetos e novos negócios que poderão dar resultados no longo prazo.

Por Ana Paula Vilela, Consultora de Gestão.

Referências:

Brazil Innovation Survey REPORT, ACE Cortex, 2018.
Brazil Startup Ecosystem Report, Censo Startse, 2017.